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Lona branca no transporte rodoviário preserva qualidade de sementes

Girassol Agrícola iniciará projeto piloto para substituir em sua frota de caminhões terceirizada o uso das coberturas escuras sobre a carga, que absorvem até 95% do calor. O objetivo é garantir que os produtos cheguem ao destino final com os mesmos percentuais de germinação e vigor


A qualidade das sementes que chegam ao produtor rural é de fundamental importância para o sucesso da produção. Taxa de germinação elevada e excelente vigor estão entre os primeiros aspectos que vão permitir o desenvolvimento inicial de plantas saudáveis e o rápido estabelecimento das culturas, contribuindo diretamente para boas colheitas. Antes de serem colocadas no solo, no entanto, há dois momentos que podem afetar essa qualidade inicial, caso não tenham as condições necessárias: o transporte e a armazenagem.

Com relação ao transporte, entre os cuidados essenciais está o da temperatura ideal dentro da carroceria do caminhão. Atentos a isso, a Girassol Agrícola, de Rondonópolis-MT, iniciou a transição do uso de lonas escuras que cobrem os caminhões de sua frota terceirizada para a utilização de lonas brancas. A iniciativa não é nova, porém, ainda com pouca aderência pelas empresas de sementes, e seus benefícios foram relatados em estudo em 1990 pela Embrapa Soja, e novamente feito em 2016.

O experimento, coordenado pelo pesquisador José de Barros França Neto, mostrou que 70% dos lotes de sementes de soja analisados tiveram queda no vigor durante o transporte rodoviário em lonas marrons ou mais escuras, em viagens com duração de dois a quatro dias. A germinação média dessas sementes reduziu 20,5% na comparação com o momento anterior às viagens. Como na época não havia equipamentos como sensores, os testes consideraram as características das sementes na saída e na chegada.

Esses dados também estimularam uma startup brasileira de logística, a Trucker do AgrO, a se aprofundar no assunto, através de uma nova pesquisa realizada em 2021. Durval Carneiro, CEO da empresa, conduziu o estudo junto a uma cooperativa agrícola do Paraná, que monitorou durante três meses a temperatura interna do modelo de caminhão bicaçamba, um com a carroceria recoberta com lona azul e outro com lona branca. O trajeto avaliado teve a distância de 550 quilômetros, de Campo Mourão ao Porto de Paranaguá, no Paraná, com o transporte de distintos produtos, tanto a granel quanto ensacados. Esses veículos faziam o percurso durante o dia inteiro e o equipamento que media a umidade e a temperatura era colocado na mesma posição, sendo acompanhado em tempo real.

Para efeito de aferição, a pesquisa considerou a faixa de temperatura de 20°C a 35°C como aceitável. Os dados com o uso da lona branca chamam a atenção. Enquanto que no caminhão com a lona azul a temperatura ficou 26,8% acima da média ideal dos dias analisados, o veículo com a lona branca ficou em 8,8%. Com a cobertura escura, a temperatura na carroceria e carga tiveram picos de até 53,7°C e muitos dias com temperaturas acima de 40°C. Já na cobertura clara, houve pico de no máximo 44,7°C, uma única vez, sendo que 75,4% dos dias manteve a faixa ideal, enquanto que com lona azul chegou a 61,1%.

Adesão das empresas

Somente por ser branca, a lona reduz comprovadamente a absorção de calor, mas é preciso ainda ter qualidade para não rasgar ou furar com facilidade. “Há boas empresas no mercado e testes de durabilidade, que mostram a resistência do material. “Muitos ainda se preocupam com o visual, mas quando falamos de sementes o essencial é a qualidade. Aos poucos, acredito que a adesão vai aumentar, pois para o cliente final isso importa muito, dá garantias, afinal, a semente é um ser vivo”, considera o CEO.

Welinton Cunha, coordenador de logística da Girassol Agrícola, comenta que o benefício da lona branca é evidente e que os testes na frota iniciaram há duas semanas. Na sementeira, os embarques de sementes de soja acontecem nos meses de setembro e outubro e de algodão em novembro e dezembro e, para essa safra, inicialmente serão 20 caminhões com lona branca. “Desses 20, cada um faz em média cinco a seis transportes, vamos concentrar o projeto na região Sul de Mato Grosso e na próxima temporada devemos aumentar esse número”, destaca o profissional.





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