Muito além da montaria

April 3, 2017

Equoterapia é uma das principais ferramentas no desenvolvimento físico, mental e social de portadores de necessidades especiais e psicológicas

 

A equoterapia, que utiliza o trote e o contato com o cavalo, é uma prática muito antiga, para si ter ideia os primeiros registros foram feitos entre 458-370 antes de Cristo. A atividade que é muito eficiente no tratamento de pessoas com deficiências ou necessidades especiais, como a Síndrome de Down, paralisia cerebral, derrame, esclerose múltipla, hiperatividade e autismo, tem se expandido nos últimos anos e em 2016 recebeu sinal verde como método de reabilita

ção.

 

O que pouca gente sabe é que o tratamento equoterápico também tem se mostrado uma ferramenta eficaz contra a depressão, síndrome do pânico e outros problemas psicológicos. Quem pratica ou aqueles que acompanham a criança ou adulto, percebem no dia a dia as mudanças positivas e benefícios que a Equoterapia gera fisicamente, psicologicamente e socialmente na vida deles.

 

A fisioterapeuta do Centro Educacional de Equoterapia Texas Ranch na grande São Paulo, Kátia Souza de Oliveira, explica que o principal aspecto da equitação terapêutica, como também é conhecida a prática, é o movimento tridimensional proporcionado pelo cavalo. Este é um coadjuvante nas diversas técnicas que podem ser utilizadas em conjunto nos atendimentos aos pacientes. ”Durante o passo do cavalo é transmitido ao sistema nervoso central de quem está montado, o movimento tridimensional, que é o conjunto de três movimentos que a pelve dos pacientes em contato com a sela produz. O praticante é impulsionado para frente e para trás, para esquerda e para direita, para cima e para baixo”, aponta Kátia.

 

Os resultados desse movimento podem literalmente ser sentidos na rotina dos pacientes. É o que mostram as mudanças na vida de Caroline Vieira, 25 anos, de Itapecerica da Serra-SP, que sofre de Microftalmia, problemas cardíacos e dislexia e frequenta as aulas no Texas Ranch. “Ela nasceu com olho esquerdo menor, fez cirurgia aos quatro anos, depois colocou prótese, mas não tem visão deste olho. É uma ótima filha, estudou até o ensino médio”, relata a mãe de Carol, Neide Vieira Pinto da Cruz.

 

A paciente participa da Equoterapia há 9 anos e as mudanças foram grandes segundo sua mãe, pois conforme conta, as sessões são aguardadas com muita animação e ansiedade. “Ela ama. Percebemos melhora na postura e também na parte psicológica, ela ganha cada vez mais autoconfiança, principalmente por participar de campeonatos de salto”, comemora Neide.

Para quantificar o tamanho dos benefícios, somente em um passo do cavalo é transmitido ao praticante 12 diferentes movimentos. “Cada um deles gera desequilíbrio, fazendo com que o aluno realize um ajuste no tônus muscular para manter sua postura. Por isso, durante toda a sessão o praticante passa por ativação muscular para manter a postura e também uma ativação do sistema vestibular para manter o equilíbrio. Além de outros diversos benefícios reacionários da atividade muscular como o aumento da força, equilíbrio coordenação motora e consequentemente com a liberação de diversas substâncias benéficas proporcionadas pelo exercício físico”, detalha a profissional.

 

Os tratamentos também variam conforme a necessidade de cada paciente. Hoje são 80 atendidos pelos Texas Ranch e as principais deficiências dos alunos estão relacionadas à paralisia cerebral, autismo, deficiência ou retardo mental, atraso de desenvolvimento além de microcefalia, síndromes (Down, West, Mosaico; entre outras), lesão Medular e sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

 

Atividade Regulamentada

 

A Equoterapia foi aprovada em 2016 como método de reabilitação de pessoas com deficiência pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Com a proposta, a prática passa a ser condicionada a um aval favorável em avaliação médica, psicológica e fisioterápica. Também deve ser exercida por uma equipe multiprofissional, composta por médico, médico veterinário e uma equipe mínima de atendimento formada por psicólogo, fisioterapeuta e um profissional da equitação. Outra exigência é que deve haver o acompanhamento das atividades desenvolvidas pelo paciente, com registros periódicos, sistemáticos e individualizado das informações em prontuário.

 

Os centros de equoterapia somente poderão funcionar se obtiverem uma autorização da autoridade de vigilância sanitária ou laudo técnico emitido pela autoridade regional de medicina veterinária, atestando as condições de higiene das instalações e a sanidade dos animais. A fundadora e responsável pelo Texas Ranch, Elizabeth Melani, destaca que a instituição já segue as exigências e que elas moldam um trabalho sério e com segurança. “Já seguíamos os parâmetros da regulamentação da atividade. O ideal é que todos os centros agissem assim também para garantir mais segurança e uma reabilitação com sucesso”, completa a profissional.

Please reload

Blog

Featured Posts

Com o atraso no plantio da soja, semeadura do milho safrinha precisará ser eficiente

November 19, 2019

1/10
Please reload

Archive
Please reload

Follow Me
  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Facebook Icon

Todos os Direitos Reservados - Ruralpress © 2018  

(11) 9.8933-4915 (Vivo)

(19) 9.8320-0286 (Vivo)

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now